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ARTIGOS - INFIDELIDADE

INFIDELIDADE

Alexandra Bertani[1]

 

 

          A vida moderna tem sido excessiva em produzir novas formas de relacionamento amoroso. Na adolescência existe o “ficar” e na fase adulta não se fala mais em monogamia e fidelidade.

          Ainda ouvimos que o instinto masculino é poligâmico, enquanto a tendência feminina é monogâmica, porém a mulher tem se aventurado mais nos relacionamentos extraconjugais, onde na maioria dos casos, procura se aprofundar e até criar novos projetos de vida. O homem tenta fazer essa separação, entre sexo e amor, atribuindo a algum acontecimento externo a motivação – o casamento não estava bem, o sexo não era satisfatório ou outra coisa qualquer – quando na verdade, a infidelidade é uma característica pessoal.  O ser humano tende a procurar no externo algo que não consegue encontrar nele mesmo.

          A mulher se coloca no papel de vítima, alegando carência, falta de atenção e amor. A dor de se sentir traído fere tanto os homens quanto às mulheres. Nelas, o que mais se fragiliza é a auto-estima, onde acredita que a outra tem tudo que ela não tem. Para o homem, a questão é o golpe na virilidade.

            A infidelidade é uma história feita no mínimo a três, e normalmente, a preocupação é com o destino do casal, mas nem sempre se pergunta sobre o que acontece com a amante, afinal esta também sofre, pois alimenta a fantasia de que o homem um dia vai fazer sua escolha, optando por ela. A amante pode parecer moderna, sexy e audaciosa, mas é apenas um personagem. Na verdade se encaixa no papel da mulher que não consegue se valorizar.

          Tanto a esposa traída quanto a amante, tem um perfil muito parecido. A diferença é que a amante alimenta o homem eroticamente, mas se acontece de ganhar o papel de titular, acaba reproduzindo o que aconteceria no primeiro casamento.

          Uma vez que a família é um organismo vivo, está sujeita a oscilações, como tudo que respira e se reproduz.  O segredo da fidelidade está justamente em achar o ponto de equilíbrio entre o risco da sedução e a manutenção do desejo entre o casal. O ideal é que a sedução não caia num ritual repetitivo. A melhor forma de sarar as feridas de uma traição é buscando dentro de si o que se procura no outro, tentando entender o motivo das suas escolhas.

          A terapia ajuda o indivíduo perceber que as necessidades vão mudando com o tempo. Por exemplo, no início do casamento ou namoro, o homem pode se excitar apenas ao ver sua mulher nua e isso tende a diminuir. Já para a mulher, a excitação ocorre quando se sente desejada, e principalmente se acariciada de forma adequada e satisfatória. O que no início pode derivar unicamente da excitação visual, com o tempo torna-se dependente dos carinhos e do toque, ou seja, o aspecto tátil torna-se mais influente.

          O importante é saber por que isso acontece com alguns casais e com outros não. Algumas pessoas argumentam que o apetite sexual é volúvel, alimentando-se da novidade, deste modo, o que já foi conquistado “perde a graça”. É fundamental entender o que está acontecendo e perceber que o desejo sexual não acaba, apenas se modifica. A manutenção do relacionamento é o que proporciona a qualidade e a segurança, portanto não adianta trocar de parceiro (a), pois a história se repetirá.

 

 

 



[1] Psicóloga Clínica da Abordagem Cognitivo-Comportamental / CRP 62279

 




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