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ARTIGOS - TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO: TOC

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO: TOC

Christiane Serpa Paschoalino[1]

 

        Esse transtorno caracteriza-se pela presença de Obsessões e/ou Compulsões.

        As obsessões tratam-se de pensamentos, idéias e impulsos que ocorrem repetidamente. A pessoa não quer ter essas idéias, considera-as perturbadoras, porém não consegue controla-las.

        As compulsões, geralmente, aparecem numa tentativa de afastar as obsessões, ou seja, as pessoas passam a emitir comportamentos repetidos e regrados (rituais), acreditando impedirem acontecimentos.

Obsessões mais comuns:

 

AGRESSÃO - preocupação em ferir os outros ou a si mesmo.

CONTAMINAÇÃO – preocupação constante com sujeira, germes, pó, apertos de mão, vírus, etc.

SEXUAL – pensamentos persistentes de fazer sexo com pessoas impróprias, imagens pornográficas recorrentes, impulsos incestuosos.

ARMAZENAGEM – idéia fixa em colecionar ou não se desfazer de vários tipos de objetos.

RELIGIÃO – pensamentos recorrentes de escrupulosidade, blasfêmia, pecado, certo/errado.

SIMETRIA – idéias constantes de exatidão ou alinhamento de objetos.

SOMÁTICA – preocupação excessiva com doenças.

 

Compulsões mais freqüentes:

 

MANIA DE LIMPEZA – lavar as mãos em excesso, a ponto de irritar e ferir a pele, banhos intermináveis executados com seqüência própria.

MANIA DE ORDENAÇÃO E SIMETRIA – guardar ou arrumar objetos sempre da mesma  forma, freqüência e posição, mantendo uma simetria com os outros objetos.

MANIA DE VERIFICAÇÃO OU CHECAGEM - conferir inúmeras vezes janelas, portas, botões de fogão, torneiras, etc.

MANIA DE CONTAGEM – contar até um número pré-determinado, antes de efetivar uma ação.

MANIA DE REPETIÇÃO – repetir ações inúmeras vezes, como por exemplo, ligar e desligar interruptores, entrar e sair do mesmo cômodo, etc.

 

O TOC envolve tanto a obsessão como a compulsão, embora a pessoa possa ter apenas um ou outro.

A pessoa com TOC, em geral, vive um intenso e solitário sofrimento, criando a falsa idéia de que somente ela possui esse problema, tem vergonha de contar o que pensa.  Sente-se ridícula, pois tem consciência de que seus pensamentos e comportamentos são inadequados e sem sentido, porém não consegue controla-los.

Esses pensamentos e comportamentos não trazem nenhum prazer ao indivíduo, diferente do jogo, bebida ou compras compulsivas.

Os sintomas do TOC provocam angústia, consomem tempo (mais de uma hora por dia), podendo interferir no trabalho, na vida social e relacionamento afetivo.

O TOC pode começar em qualquer momento desde a idade pré-escolar até a adulta. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado, inclusive a prescrição dos medicamentos corretos, podem ajudar as pessoas a evitar o sofrimento e diminuir  o risco de desenvolverem outros problemas, como por exemplo a depressão.

Pesquisas sugerem que o TOC envolve problemas de comunicação entre a parte frontal do cérebro (córtex orbital) e as estruturas mais profundas (gânglios basais). Essas estruturas cerebrais utilizam a serotonina como mensageira, sendo assim acredita-se que os níveis desta substância estejam diminuídos nas pessoas portadoras do TOC.

Não há exames laboratoriais para TOC, o diagnóstico é realizado através da avaliação dos sintomas da pessoa.

Existem alguns passos importantes para o tratamento do TOC, sendo o primeiro deles a conscientização da família de que se trata de uma doença médica, na qual a pessoa precisará contar com o apoio e compreensão dos familiares. O segundo e terceiro passos são os tratamentos específicos, ou seja, medicação associada a psicoterapia cognitivo-comportamental.

A medicação deverá ser prescrita por um médico, contendo inibidor de reabsorção de serotonina.

A psicoterapia cognitivo-comportamental auxiliará a pessoa a modificar seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Essa terapia ajuda a reduzir o pensamento catastrófico e o exagerado senso de responsabilidade, através de estratégias psicoterapêuticas  direcionadas.

“Enquanto 25% dos pacientes se recusam a fazer o tratamento, os que terminam a psicoterapia relatam reduções entre 50% e 80% dos sintomas do TOC”. (ASTOC – Associação de Portadores de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Desta forma, é fundamental que a pessoa saia do isolamento e procure ajuda o mais rápido possível sem temer julgamentos.

Fonte:

 

SILVA, Ana Beatriz Barbosa, Mentes e Manias; editora Gente; 2ª edição;         São Paulo; 2004.



[1]  Psicóloga Clínica da Abordagem Cognitivo-Comportamental




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